Direito Imobiliário Regularização e adjudicação

Cessão de direitos sem registro: como regularizar a situação do imóvel

Receber, por meio de uma cessão, os direitos que outra pessoa detinha sobre um imóvel (seja direitos sobre um compromisso de compra e venda ainda não quitado, seja direitos hereditários) é uma prática comum, mas que, quando feita sem registro, deixa uma lacuna que precisa ser resolvida para que você tenha segurança jurídica plena sobre o bem.

O que costuma faltar registrar, exatamente

  • Cessão de direitos sobre compromisso de compra e venda: quando o cedente tinha um contrato com o proprietário original e repassou sua posição contratual a você, sem levar essa cessão a registro na matrícula do imóvel.
  • Cessão de direitos hereditários: quando um herdeiro cedeu a você os direitos que detinha sobre a herança (ou sobre um bem específico dela), sem que essa cessão tenha sido formalizada nos autos do inventário.

Recebeu direitos sobre um imóvel por cessão nunca registrada?

Identificar exatamente qual tipo de cessão está em aberto é o primeiro passo para regularizar a situação.

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Por que regularizar o registro dessa cessão é importante

Sem o registro, terceiros não têm como saber publicamente que você passou a deter aquele direito, o que pode gerar conflitos se o cedente ceder o mesmo direito novamente a outra pessoa, ou se credores do cedente tentarem alcançar o direito que, para eles, aparentemente ainda é dele. Regularizar o registro dá publicidade e segurança à sua posição.

Como regularizar quando a cessão envolve compromisso de compra e venda

O caminho costuma passar por formalizar a cessão perante o vendedor original (ou seus sucessores, se já falecido) e, em seguida, buscar a via adequada de transferência definitiva: diretamente com o proprietário, se ele colaborar, ou por meio da adjudicação compulsória, quando a colaboração não for possível, já que a jurisprudência admite esse caminho mesmo diante de cessões sucessivas, desde que devidamente comprovadas.

Sua cessão envolve um compromisso de compra e venda ainda não quitado?

O caminho de regularização varia conforme a colaboração (ou não) do proprietário original.

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Como regularizar quando a cessão envolve direitos hereditários

Nesse caso, o caminho passa pela formalização da cessão dentro do próprio processo de inventário (judicial ou extrajudicial), de modo que a partilha final já reflita você como destinatário daquele direito cedido. Se o inventário ainda não foi aberto, pode ser necessário provocar sua abertura antes de prosseguir.

Documentos que costumam ser necessários

  • O instrumento de cessão celebrado entre você e o cedente.
  • O contrato original que deu origem ao direito cedido (compromisso de compra e venda ou prova da condição de herdeiro do cedente).
  • Certidão de matrícula atualizada do imóvel, ou informações atualizadas sobre o andamento do inventário, conforme o caso.
  • Documentos pessoais de cedente e cessionário.

Reúna a documentação da cessão para avaliar o caminho de regularização

A origem exata do direito cedido define qual via de formalização é a mais adequada ao seu caso.

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Por que não convém deixar essa situação sem avaliação

Quanto mais tempo uma cessão permanece sem registro, maior o risco de conflitos com terceiros que desconheçam sua existência, especialmente se o cedente continuar agindo, perante o público ou perante o próprio inventário, como se ainda detivesse o direito cedido.

O que fazer quando há mais de uma cessão sucessiva do mesmo direito

Assim como ocorre com os contratos de gaveta, também é possível que um mesmo direito (sobre um compromisso de compra e venda, por exemplo) tenha sido cedido mais de uma vez ao longo do tempo, formando uma cadeia de cessões sucessivas. Nesses casos, cada cessão da cadeia precisa ser válida para que a transferência final até você seja juridicamente segura, o que exige reunir a documentação de todos os elos, de forma semelhante ao que ocorre na reconstituição de uma cadeia de contratos de gaveta.

Há mais de uma cessão sucessiva envolvendo o direito que você adquiriu?

Cada elo dessa cadeia de cessões precisa ser válido para garantir a segurança jurídica da sua posição final.

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Diferença entre cessão onerosa e cessão gratuita

Vale destacar que a cessão de direitos pode ser onerosa (mediante pagamento) ou gratuita (como uma doação do direito), o que pode ter implicações tributárias distintas, especialmente quanto ao imposto de transmissão aplicável (ITBI, em cessões onerosas, ou ITCMD, em cessões gratuitas, dependendo da natureza do direito cedido). Identificar corretamente essa natureza desde o início ajuda a evitar questionamentos fiscais futuros sobre a regularização pretendida.

Como lidar com cessões feitas sem instrumento escrito formal

Em alguns casos, especialmente entre familiares ou pessoas de confiança próxima, a cessão de direitos sobre um imóvel chega a ser combinada apenas verbalmente, ou documentada de forma muito simples (um recibo, uma troca de mensagens). Embora isso não impeça, necessariamente, o reconhecimento do direito cedido, a ausência de um instrumento mais completo tende a dificultar bastante a comprovação perante terceiros, especialmente diante de eventual resistência futura do próprio cedente ou de seus herdeiros. Reunir outros elementos de prova (comprovantes de pagamento, testemunhas, correspondências) torna-se ainda mais importante nesse cenário.

Por que confirmar a existência de outras cessões anteriores à sua é essencial

Antes de aceitar uma cessão de direitos sobre um imóvel, vale investigar se o cedente, de fato, detém o direito que está cedendo, ou se ele próprio já recebeu esse direito de outra pessoa, formando uma cadeia mais longa do que inicialmente aparenta. Negligenciar essa verificação pode levar à descoberta, só mais adiante, de que a cadeia completa de cessões precisa ser reconstituída, o que tende a aumentar significativamente a complexidade e o tempo necessário para a regularização final em seu nome.

Por que registrar a cessão, mesmo quando a transferência final ainda não é possível

Em alguns casos, mesmo antes de concluir a transferência definitiva da propriedade, já é possível averbar a existência da cessão na matrícula do imóvel (ou nos autos do próprio inventário, conforme o caso), o que dá publicidade antecipada à sua posição perante terceiros, mesmo enquanto o processo de regularização completa ainda está em curso. Avaliar essa possibilidade com orientação jurídica específica pode agregar segurança já nas etapas iniciais, antes mesmo da conclusão de todo o procedimento.

Para complementar a leitura com situações correlatas, veja também nossos conteúdos sobre imóvel comprado de herdeiros sem inventário: riscos e caminhos de regularização, promessa de compra e venda sem escritura: quais efeitos e como regularizar e imóvel com matrícula em nome de pessoa falecida: caminhos para regularização. Caso queira conhecer como funciona nossa atuação direta nessa área, acesse a página de regularização imobiliária.

Perguntas frequentes

Cessão de direitos é a mesma coisa que compra e venda do imóvel?

Não exatamente: a cessão transfere a posição ou o direito que o cedente detém sobre o bem, que pode ainda não ser a propriedade plena, dependendo da situação em que se encontra o negócio original.

É possível regularizar a cessão mesmo depois de muito tempo?

Em geral sim, mas quanto mais tempo passa, maior a chance de surgirem complicações na matrícula ou nos autos do inventário que precisam ser resolvidas antes do registro.

Preciso da participação do cedente para formalizar a cessão?

Normalmente sim, especialmente se houver necessidade de reconhecimento de firma ou outras formalidades; a localização e a colaboração do cedente são fatores relevantes nesse processo.

Fale com um advogado sobre este caso

Se você está passando por uma situação parecida, uma análise individual dos documentos pode ajudar a identificar os próximos passos.

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Fontes consultadas

  • Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), art. 1.784, art. 1.791 e art. 1.793
  • Súmula 239 do Superior Tribunal de Justiça (STJ)